domingo, 27 de março de 2011

Vou contar como eram... os ovos em molho de tomate da minha avó

A minha avó era uma cozinheira de mão cheia e há sabores que eu sei que nunca vou conseguir reproduzir de modo a que fiquem iguais aos dela. Ela não sabia ler, por isso não seguia receitas. Tudo o que cozinhava resultava da sua sabedoria e da sua intuição. E não me lembro de alguma vez ter comido alguma coisa feito por ela que não prestasse. 

Às vezes vêm-me à memória alguns dos seu pratos. Digo imensas vezes que nunca hei-de comer sopa de feijão com massa manga de capote (penso que já nem existe) como a que ela fazia. A minha mãe também cozinha muitissimo bem, mas nem eu nem ela lá conseguimos chegar.

A minha avó era Alentejana, de Estremoz, mas cedo foi viver para Évora. Entretanto acabou por vir viver para Torres Vedras,  para perto da minha mãe. É evidente que as raízes da sua cozinha vinham do Alentejo e só tenho pena de, quando era míuda, não gostar de alguma dessa comida, como por exemplo uma açordinha, que nunca comifeita por ela. Agora é que me lastimo pois podia ter aprendido muito mais coisas com ela. Mas ela faleceu quando eu tinha 18 anos e, nessa idade, somos um bocadinho palermas!!!!  

Lembro-me imensas vezes dela. Era uma das melhores pessoas que eu alguma vez conheci.

Lembro-me de ela ter na cozinha um guarda-loiça, onde invariavelmente existiam "restinhos". Às vezes era peixinho frito temperado com alho, louro e vinagre, outras vezes era chouriço, farinheira e carnes do cozido (que ainda hoje adoro comer frio no pão). Havia também peixinhos da horta, ou uma simples omolete com sobras de carne ou peixe ou, simplesmente frango cozido. Lembro-me de chegarmos lá a casa e abrirmos o guarda-loiça para ver qual era a iguaria do dia. E sabia tão bem um petisquinho daqueles ao fim do dia.

E se há pratos que nos transportam para a infância e, neste caso, para a casa da minha avó, este é um deles. Era um prato que ela fazia muitas vezes e eu adorava os ovos em molho de tomate da minha avó.

E, depois de algumas tentativas, parece-me que consegui aproximar-me do sabor dos dela.

Ingredientes:
6 ovos
2 cebolas médias
4 ou 5 tomates
2 dentes de alho
umas rodelinhas de chouriço
umas tirinhas de toucinho gordo
sal a gosto

Preparação:
Numa frigideira frita-se o toucinho para que ele largue a gordura a que se juntam, entretanto, as rodelinhas de chouriço. Frita-se o chouriço e adiciona-se depois a cebola às rodelas finas e o alho picadinho. Deixa-se refogar um pouco.
Depois adiciona-se o tomate (sem pele) bem picadinho. Deixa-se estufar.
Entretanto,  fazem-se pequenas covas no refogado e abrem-se os ovos lá para dentro.
Deixa-se escalfar os ovos e serve-se quentinho.

Nota: A minha avó às vezes fritava também umas tirinhas de entremeada junto com o chouriço.

Ai que saudades que eu tinha de comer este prato!!!!!! E que bem que me soube recordar a minha avó!!!

Com esta receita participo no desafio "Conte-me a su receita" do blog "Cinco Quartos de laranja"

7 comentários:

Èlia disse...

Os sabores que nunca se esquecem!!!!
BJs

Papinha Doce disse...

Que lindas palavras!!!!!!

Bjinho
Maria José

Catarina - ReceitaseSaboresdoMundo disse...

Nelinha,
Que historia linda... Realmente nada como os sabores de receitas de família. Sempre trazem boas recordações.

Beijinhos

Laranjinha disse...

Olá Manuela,
gostei muito de ler o seu texto. Realmente, a idade leva-nos a apreciar e a valorizar certas coisas. Quando somos mais novos, temos outros interesses e quando nos apercebemos queremos preservar um pouco das nossas raízes, dos sabores que marcaram a nossa infância.

Muito obrigada pela participação.
Um beijinho.

Sandra disse...

ai como eu adoro estes ovos, ainda hoje quando a minha mãe faz como tanto mas mesmo tanto!
ADORO!

Beijinhos

Xana disse...

Eram super delíciosos certamente :)
k aspecto bom

Receitas ao Desafio disse...

Este texto fez-me lembrar dos "restinhos" que também havia sempre no armário da minha avó... E concordo quando dizes que aos 18 anos somos um bocadinho palermas - é tão verdade! Ainda bem que a idade, para além das rugas, nos traz sabedoria! Um beijinho e parabéns pela participação. Gostei muito! Beijinho, Ilídia